quinta-feira, 15 de março de 2012

Poema do Retorno


Os dias do 'sol maior' estão passando:
Os dias de presença se vão,
Os de ausência ficam.
Sonhos que não; Mas - podem morrer.

Vejo o abismo da confusão instalada entre os meus entes queridos,
meus parentes perdidos, meus velhos amigos.

Essas nuvens cor-de-rosa de horizonte
Tocam suavemente os corpos, avisando-nos da linda dor
vermelha-de-solidão-e-excelência.

Na era fugaz da facilidade do ver, ouvir,
Nada fica quando chega a noite ou não se é ouvido.
-Na verdade da verdade não há uma só.

Restam pensamentos densos, e
Em tardes tão amarelas-vazias-do-calor, se fazem presentes
o cotidiano e a não-inspiração.

O duelo de Ser e Estar é caótico;
Vida bruta de sons e des-prazeres

O rio ainda pode correr.
- Para onde?

Fabrício Caetano Em 15/03/2012

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Do gelo e do passado




A idéia foi concretizada

E mitificada durante os dias....


Os ventos uivantes da terra distante

Fizeram os momentos amarelarem-se

Em busca dos devaneios.


Quando a brisa veio até mim

E cortou bruscamente os tons do meu rosto

Foram sentidas dores de encontros passados.


Uni-me ao balanço dos loucos.

Desde então as vistas cresceram,

Os espaços brincaram e sons pararam.


- A música já existia!


Ali. Guardada debaixo da

Árvore dourada de sinais de sol

E me apanhava maternalmente.


As guerras não alcançavam o externo

E os meios vivos já não tão vivos vibraram.

- União perfeito-estranha de frio para frio.


Fabrício Caetano

19 – setembro de 2011

Foto : Fabrício Caetano

domingo, 4 de setembro de 2011

Perpetuação e Umas raízes



Olhei-os de longe.

Percebi-os na longínqua tempestade da

Agitação e da danação alheia

Loucos por inundações de vazios.


Apressadamente as vidas se esbarram

Retomando um período de vivacidade.

- Enlamear-se é grotescamente indispensável!

O crescimento se dá diante da calefação.


O acordo para o momento do despertar

Foi pré-estabelecido e na linha vespertina

As palavras foram soltas, jogadas.

Lançadas ao mais puro e simples ouvido, o teu.


Rude, inconfundível e terno olhar perdido

Do Horizonte-Mar do azul desta manhã.

- Abertura para o Astro-Maior.

Minha parte de mim mais pulsante.


O ritmo que se fez e o grito que se deu

Foram suficientes para o beija-flor agir e

Vir e parar e beijar e cuidar e sugar e

Beijar e largar A flor e Re-Voar...


Fabrício Caetano

Domingo – 4 de Set. de 2011*
Fotografia por: Mim.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cosmologia Intrínseca



Dentro de uma piscina de óleo

Eu tentei buscar um fundo real e

Arrastei uma centelha comigo, mas

Submergi e deixei-a presa.


Percebi que nenhuma imagem

Pode ser guardada ao ponto crítico.

A mudança é de essencial necessidade

- Enquadramento de relações.


O físico-químico

Imagético e suspeitável

Não absolutamente crido, mas sentido.

É alvo de especulação.


E quem é possuidor do claro imutável?

- “Minha verdade é a sua mentira!”.

Deixe meus esclarecimentos dentro do crânio

Sendo observado por minhas linhas in/suspeitas.


Eu-modificador, eu-receptor;

Eu-criador, eu-posse, eu-possuidor.

Faísca embebida em certeza relativa

Vontade e necessidade criada na vida.


Fabrício Caetano, 22 de Agosto de 2011

terça-feira, 12 de julho de 2011

Lá por trás do Mar.



As aguinhas, todas

Molhadinhas, caindo

Do meu olhinho, tristinho,

Apertado contra a tela.


Os amorezinhos, todos

Perfeitinhos, sorrindo,

Se afastando devagarinho

Do meu terrero.


Duas conchinhas,

Com areinhas doendo,

Formando pérola negrinha

Da minha dor.


Lancei-me de levezinho,

A queda foi dura!

Acabei na aguinha, sozinho,

Molhadinho, apertadinho contra a Terra.


Fabrício Caetano, 12 de Julho de 2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Little Cinzas/Pequenas Ashes




O som das palavras,
O tom dos quadros,
As vontades no ativismo
Trouxeram-me a mim.

Os bigodes,
Os olhos,
E a altivez
Dos corpos, atraíram-me.

E agora novamente vejo-me.
Sinto-me e apego-me;
Jogo-me em líquidos e
Encanto-me.

Percebo-me nele.
Como foi uma vez no passado
Quero os sons, as palavras;
O Trèschic - O elegante.
A Nova Palavra.

À Frederico Garcia Lorca, Luis Buñuel & Salvador Dalí

Fabrício caetano - 23 de Junho de 2011

domingo, 29 de maio de 2011

Todos Viram


Guiei-me novamente a uma ruela

E lá vi luzes artificiais que me atraiam.

Cai numa emboscada,

Emboscada criada por minha própria ingenuidade.


Só arco.

Sou arco sem violino;

Quando o som molhado na madrugada

Entorpece-me e impede-me.


E por meio das folhas todas do lugar

Uma brisa levanta a mais bela,

Com amêndoas nos olhos,

Que me inspiram antes do dilúvio e encantam-me.


Buscar por uma redenção, uma proteção.

Recriar uma serenidade ayam - violeta

Buscar pelo discernimento, encontrar a saída!


Fabrício Caetano, 29 de Maio de 2011